Madeira rainha

Ao mesmo tempo milenar e atual, o elemento representa a atemporalidade e elegância na arquitetura e decoração. Mãos e mentes habilidosas dão ao material o papel de protagonista, capaz de se reinventar e ressignificar sua relevância.

De Joaquim Tenreiro, marceneiro e designer considerado o pai do móvel brasileiro, a nomes mais contemporâneos – como irmãos Campana, Zanini de Zanine, Fernando Jaeger e tantos outros – há o gosto pelo uso de um elemento em comum: a madeira. Seja pela farta disponibilidade no Brasil ou por conta das mil e uma possibilidades do material, a verdade é que toda casa tem madeira, em menor ou maior proporção. Em algumas delas, arquitetos, decoradores e designers de interiores deixaram sua imaginação fluir e utilizaram o material de modo imponente, que se destaque e fique à altura de sua força e delicadeza. É um excelente meio de colocar nos ambientes um toque da natureza, algo tão apreciado em projetos atemporais.

Como um curinga no décor, a madeira pode ser adaptada à composição de modo que traga harmonia e seja a estrela do espaço. Neste ambiente do escritório Le Chateau, criou um elegante contraponto com as pedras e tecidos, deixando a decoração mais rica.

Mesmo com as características que lhe dão tanto destaque no décor, a madeira pode preservar sua neutralidade, aceitando então toques de cor para criar um resultado mais rico. Dessa maneira, combina facilmente com vários materiais e também com diferentes versões dela mesma. Assim, podem ser criados espaços em diferentes estilos decorativos, como o clássico, rústico, moderno, industrial e contemporâneo. Sua resistência e durabilidade são benefícios que intensificam o uso em projetos das mais variadas vertentes.

Outro diferencial da madeira é o seu incrível poder de remeter ao conforto e aconchego, deixando-a perfeita para aquecer visualmente o projeto e suavizar materiais como concreto, metais e vidros. Nesse contexto, estimula a composição com plantas e paredes verdes, reforçando a ligação com o meio ambiente em um contexto convidativo. Seja qual for o caso, é importante entender qual tipo de madeira é mais adequado para cada projeto. Existem variedades que podem ser utilizados em áreas externas, como decks de Ipê, por exemplo. Já alguns modelos não se dão bem com a umidade, sendo direcionados apenas ao uso interno. Há ainda alguns grupos com densidades que impossibilitam a especificação como revestimento de pisos, por serem “moles” demais.

Uma utilização com intensa presença é através de painéis de madeira como revestimento de parede. Em espaços amplos, ajudam a criar uma unidade visual equilibrada; em locais compactos, podem ser usados de modo que alonguem o comprimento da parede, criando a sensação de amplitude. Nos home theaters, são essenciais para transformar o painel da TV em ponto focal, atraindo os olhares sem que o restante do décor perca relevância. Além da questão estética, escondem os cabos dos equipamentos, ou uma eventual porta de acesso ao banheiro no caso de suítes.

Cores e texturas da madeira podem direcionar conceitos

Apesar da imensa gama de opções de madeira no Brasil, fruto de o país possuir a maior biodiversidade do mundo, alguns tipos se sobressaem aos demais na utilização na arquitetura e interiores. A Nogueira, por exemplo, fica ótima em painéis, mas também é resistente o suficiente para compor móveis de áreas externas. Atrai muitos olhares pela coloração, com variações que vão de um chocolate acastanhado até tons de vermelho suave. Já o Carvalho vai dos tons claros aos avermelhados, e tem ótima resistência à umidade.

O objetivo da madeira pode ser definido para conforto acústico, intensificando a experiência sonora, preservando a privacidade e melhorando a qualidade de vida, como no projeto assinado por Nádia Muller e Paulo Tabajara.

Mogno e cerejeira também são utilizados com frequência. Enquanto o primeiro é conhecido por ser praticamente imune à ação de cupins – porém frágil quando em contato com umidade – a segunda é bastante popular em peças com designs mais arrojados e em ambientes planejados. Outros tipos, como a Tauari, ganham cada vez mais evidência no décor de interiores, bastante presente em portas, janelas e móveis.

Toda madeira exalta o décor no lar

Independente da escolha, é essencial optar pela madeira de reflorestamento certificado. São produtos provenientes de extrações focadas em questões socioambientais, livres de exploração de mão de obra e desmatamento – o que evita poluição e sobrecargas no aquecimento global. Em geral, são peças com selos como o FSC (sigla em inglês para Conselho de Manejo Florestal), que é um órgão responsável pela certificação.

Linhas sinuosas e envolventes marcam presença neste espaço desenvolvido por Roberta Zimmermann. Cruza o ambiente o banco/mesa em curva, que incentiva a integração entre as áreas.

Existem alguns métodos eficientes para inserir a madeira nos ambientes e manter a harmonia na decoração. Afinal, por mais vantajoso que seja esse material, em doses erradas pode interferir no equilíbrio. Uma saída é utilizar um único tom no espaço todo. Assim, é possível evitar que a composição fique visualmente carregada, algo que funciona muito bem em projetos arquitetônicos. Caso o desejo seja criar algo mais arrojado, uma ideia é misturar uma nuance de maneira neutra com uma laca mais vibrante. O resultado é um mix moderno e jovial, perfeito para ser aplicado em salas de jantar e ambientes comerciais, por exemplo. O mesmo pode ser dito ao compor madeira e couro, que juntos trazem propostas refinadas. Seja qual for o caso, quem habita os espaços vai estar vivendo em meio a um elemento que acompanha a humanidade há milênios, e ajuda a contar sua história e a evolução no jeito de morar.

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